“A coordenadoria da juventude foi criada para focar e valorizar o trabalho de arte e ações de cidade e de política baseados no comportamento jovem. Qual era o comportamento jovem da cidade, o que os jovens estavam fazendo, seus principais anseios, suas formas de organização e etc. Foi um período em que o grafite ,por exemplo, foi incluído na pauta da cidade. Uma das principais ações feitas na época foi buscar o imaginário da cidade e da identidade da cidade com o universo do grafite”
“Estamos vivendo uma nova ordem mundial em que as pessoas prezam por transparência, comunicação direta, fim dos formalismos, que buscam por políticas públicas que representem a cabeça aberta para o novo; uma série de questões que acontecem hoje no mundo e que a política tradicional não representa. O artista que tem essa antena ligada absolutamente em todas essas questões acaba sentindo isso”
“É a partir da arte de hoje que pode-se criar uma nova forma de mobilização das gerações que não estão engajadas. Então se você tem a arte urbana questionadora, se você tem a música novamente iniciando uma série de questionamentos em relação a sociedade, você tem um novo ciclo de arte engajada”.
Você pode saber mais sobre Ale Youssef em aleyoussef.org
“Uma das melhores maneiras de você transformar a cara de uma cidade não só esteticamente como economicamente falando é se conectando com movimentos artísticos verdadeiros de vanguarda que possam de alguma maneira representar uma nova intervenção no espaço urbano. Isso esta acontecendo em São Paulo, acontece em muito lugares do mundo, isso sempre aconteceu só que a visão publica que ainda é deficitária em relação a isso”
Ale Youssef é formado em Direito pelo Mackenzie e foi professor de Ética, Cidadania e Política contemporânea em colégios de São Paulo. Em 2001 dirigiu a implementação da Coordenadoria Especial de Juventude da prefeitura de São Paulo e ocupou o cargo de Coordenador de Juventude da cidade até 2004, onde desenvolveu projetos de valorização da cultura jovem e da identificação de novas expressões de comportamento.
É sócio e criador do Studio SP, casa de shows e artes localizada na Rua Augusta que tem sido um espaço importante para valorização de novas expressões culturais da cidade. Em 2008 criou o Overmundo, o primeiro site brasileiro de web 2.0, totalmente colaborativo. Além de ser colunista de política da revista TRIP, onde foi realizada a gravação.
Foi convidado a gravar um depoimento por todos os projetos para valorização da cultura e da arte, principalmente o que foi feito na Coordenadoria da Juventude que não apenas propunha atividades para os jovens, mas investigava quais eram as novas linguagens, os novos comportamentos do jovem na cidade.
Trechos do depoimento :
“Podemos pegar como exemplo o que acontece de uma maneira espontânea na rua Augusta, na região da baixo augusta onde pequenos empreendimentos misturado com galerias de arte, artistas e intervenções criam uma economia que muda a característica de uma rua e região associada às populações locais, a galera que mora lá e etc. Isso faz com que se transforme a realidade do espaço e que se crie uma nova vida por lá.
Se você comparar isso com o que acontece na Cracolândia onde você tem milhões de reais investidos nos grandes elefantes brancos, em grandes obras públicas que são desconectadas com a situação da população local, são desconectadas com a rua e que não resolvem o problema do crack ou das pedras da cracolândia, você percebe esse tipo de intervenção. Uma é de baixo pra cima, capilar, orgânica, organizada, junto com a sociedade fazendo das pequenas iniciativas privadas o ponto de partida, que é a que da certo ou aquela que esta presa a grandes orçamentos, grandes negócios e grandes investimentos que acaba sendo totalmente desconectada com a realidade e que não da certo”
“A arte de vanguarda tem vida, esta ligada a movimentos de transformação e que não é entendida necessariamente pela elite cultural ou não é de certa maneira ainda representativa daquele universo ou daquela cidade. Nesse tipo de arte a diferença de tratamento, do olhar, da compreensão desses movimentos do que acontece lá fora e o que acontece no Brasil é enorme”
“Existe uma percepção estratégica do quanto é importante se divulgar se abraçar novos movimentos artísticos em cidades européias e até nos estados unidos e transformar isso em política publica e através dela incentivar essas manifestações. Ao contrário do que acontece aqui, quando geralmente fica uma distancia muito grande entre a política pública, o publico, a ação governamental e a manifestação artística nova e verdadeira”
“Aqui as pessoas demoraram para perceber a importância do grafite, mas não existe ninguém pensando o que significa isso, o que faz parte do imaginário das pessoas da cidade ou não, se isso pode entrar no universo estético da cidade, se isso pode representar o que esta acontecendo na cidade ou não. Até agora pelo que sei mesmo grandes artistas ou até os maiores artistas brasileiros são os Gêmeos, tem obras apagadas pela prefeitura”
Você pode saber mais sobre Ale Youssef em aleyoussef.org