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Ale Youssef – Parte 2

3 nov

Segunda parte do depoimento de Ale Youssef.

Leia alguns trechos do depoimento:

“A coordenadoria da juventude foi criada para focar e valorizar o trabalho de arte e ações de cidade e de política baseados no comportamento jovem. Qual era o comportamento jovem da cidade, o que os jovens estavam fazendo, seus principais anseios, suas formas de organização e etc. Foi um período em que o grafite ,por exemplo, foi incluído na pauta da cidade.  Uma das principais ações feitas na época foi buscar o imaginário da cidade e da identidade da cidade com o universo do grafite

“Estamos vivendo uma nova ordem mundial em que as pessoas prezam por transparência, comunicação direta, fim dos formalismos, que buscam por políticas públicas que representem a cabeça aberta para o novo; uma série de questões que acontecem hoje no mundo e que a política tradicional não representa. O artista que tem essa antena ligada absolutamente em todas essas questões acaba sentindo isso”

“É a partir da arte de hoje que pode-se criar uma nova forma de mobilização das gerações que não estão engajadas. Então se você tem a arte urbana questionadora, se você tem a música novamente iniciando uma série de questionamentos em relação a sociedade, você tem um novo ciclo de arte engajada”.

Você pode saber mais sobre Ale Youssef em aleyoussef.org

Ale Youssef – Parte 1

26 out

“Uma das melhores maneiras de você transformar a cara de uma cidade não só esteticamente como economicamente falando é se conectando com movimentos artísticos verdadeiros de vanguarda que possam de alguma maneira representar uma nova intervenção no espaço urbano. Isso esta acontecendo em São Paulo, acontece em muito lugares do mundo, isso sempre aconteceu só que a visão publica que ainda é deficitária em relação a isso

Ale Youssef é formado em Direito pelo Mackenzie e foi professor de Ética, Cidadania e Política contemporânea em colégios de São Paulo. Em 2001 dirigiu a implementação da Coordenadoria Especial de Juventude da prefeitura de São Paulo e ocupou o cargo de Coordenador de Juventude da cidade até 2004, onde desenvolveu projetos de valorização da cultura jovem e da identificação de novas expressões de comportamento.

É sócio e criador do Studio SP, casa de shows e artes localizada na Rua Augusta que tem sido um espaço importante para valorização de novas expressões culturais da cidade.  Em 2008 criou o Overmundo, o primeiro site brasileiro de web 2.0, totalmente colaborativo. Além de ser colunista de política da revista TRIP, onde foi realizada a gravação.

Foi convidado a gravar um depoimento por todos os projetos para valorização da cultura e da arte, principalmente o que foi feito na Coordenadoria da Juventude que não apenas propunha atividades para os jovens, mas investigava quais eram as novas linguagens, os novos comportamentos do jovem na cidade.

Trechos do depoimento :

“Podemos pegar como exemplo o que acontece de uma maneira espontânea na rua Augusta, na região da baixo augusta onde pequenos empreendimentos misturado com galerias de arte, artistas e intervenções criam uma economia que muda a característica de uma rua e região associada às populações locais, a galera que mora lá e etc. Isso faz com que se transforme a realidade do espaço e que se crie uma nova vida por lá.

Se você comparar isso com o que acontece na Cracolândia onde você tem milhões de reais investidos nos grandes elefantes brancos, em grandes obras públicas que são desconectadas com a situação da população local, são desconectadas com a rua e que não resolvem o problema do crack ou das pedras da cracolândia, você percebe esse tipo de intervenção. Uma é de baixo pra cima, capilar, orgânica, organizada, junto com a sociedade fazendo das pequenas iniciativas privadas o ponto de partida, que é a que da certo ou aquela que esta presa a grandes orçamentos, grandes negócios e grandes investimentos que acaba sendo totalmente desconectada com a realidade e que não da certo”

A arte de vanguarda tem vida, esta ligada a movimentos de transformação e que não é entendida necessariamente pela elite cultural ou não é de certa maneira ainda representativa daquele universo ou daquela cidade. Nesse tipo de arte a diferença de tratamento, do olhar, da compreensão desses movimentos do que acontece lá fora e o que acontece no Brasil é enorme”

“Existe uma percepção estratégica do quanto é importante se divulgar se abraçar novos movimentos artísticos em cidades européias e até nos estados unidos e transformar isso em política publica e através dela incentivar essas manifestações. Ao contrário do que acontece aqui, quando geralmente fica uma distancia muito grande entre a política pública, o publico, a ação governamental e a manifestação artística nova e verdadeira”

“Aqui as pessoas demoraram para perceber a importância do grafite, mas não existe ninguém pensando o que significa isso, o que faz parte do imaginário das pessoas da cidade ou não, se isso pode entrar no universo estético da cidade, se isso pode representar o que esta acontecendo na cidade ou não. Até agora pelo que sei mesmo grandes artistas ou até os maiores artistas brasileiros são os Gêmeos, tem obras apagadas pela prefeitura”

Você pode saber mais sobre Ale Youssef em aleyoussef.org

Regina Carmona

19 out

Regina Carmona

Aprender a se movimentar nesse mundo com um pouco mais de sabedoria, acho que a arte proporciona isso. As dificuldades que a gente passa faz a gente ser muito criativo e se você trabalha com ela tem uma forma de estar se expressando, é um registro daquilo que você vive através da arte”

Regina Carmona é graduada e Mestre em Poéticas Visuais pela Escola de Comunicações e Artes da USP. Recebeu apoio do MINC, MRE e Itamaraty para viagens e residências de arte na índia, Romênia, Polônia e Finlândia.

Regina foi convidada para gravar um depoimento por ter criado o projeto Circulo Três, um agente de atividades cooperativas que visava aproximar os artistas do público em um espaço colaborativo, onde funcionava o atelier dos artistas e onde eram feitas as exposições.

Regina também participou de projetos sociais que visavam à inclusão dos jovens e o ensino na arte como ferramenta para transformação.

Leia alguns trechos do depoimento:

“A coisa esta ai para ser vivida. A gente pode fazer, a gente pode achar caminhos para estar se mostrando. Se a gente não consegue todas as autorizações e permissões, faz de um jeitinho um pouquinho clandestino daqui um pouquinho clandestino dali.  Ninguém esta fazendo nada errado, ninguém esta prejudicando ninguém, pelo contrário: esta se tentando saídas criativas para um bem viver, para exercer uma função, para descobrir uma aptidão, uma qualidade, uma arte através da qual você possa se manifestar”

A arte esta presente, esta ensinando os jovens a se soltar através de um meio artístico. Os projetos que eu participei bastante eram sempre com jovens e adolescentes. Eram projetos através da secretaria de cultura que tentavam tirar os jovens da droga e dar uma atividade criativa para ele desenvolver”

“É essencial para todo artista tentar se aproximar, tentar estar próximo das pessoas sentido o cheiro a energia, sentir as coisas acontecendo. Acho que todo artista vai aprendendo no seu processo construtivo, no dialogo com seu trabalho. As trocas que se fazem são muito importantes! Quando você põe seu trabalho na rua para ver como que as pessoas reagem diante dele e como você também se coloca diante da reação dos outros”

“A arte é uma maneira de você se manifestar no mundo e o mundo se manifestar em você”

Crédito das fotos: Júlia Carmona

Dudu Tsuda – Parte 2

10 out

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“Motivação de canção: eu não estava preocupado se já havia usado algum recurso tecnológico, ou se o fato ou algum recurso de cenografia era batido ou não. A questão era mais uma necessidade pessoal.”

Motivação de canção: eu não estava preocupado se já havia usado algum recurso tecnológico,
ou se o fato ou algum recurso de cenografia era batido ou não. A questão era mais uma
necessidade pessoal.

Na segunda parte do depoimento de Dudu Tsuda, ele fala sobre algumas de suas instalações a as reações que causaram nas pessoas, reações mais pertinentes a emoção do que aos aparatos tecnológicos.

Dudu Tsuda – Parte 1

7 out

“Eles correm o risco de serem presos, eles podem apanhar de alguém eventualmente e aquilo é efêmero não só pra eles, para a cidade também é efêmero. Você pinta e alguém vai lá e pinta em cima, mas essa é a lógica do grafite

Depoimento do artista multimídia, músico, compositor, performer e produtor musical, Dudu Tsuda, indicado para o prêmio Sérgio Motta em 2009.

Depoimento gravado em sua casa/estúdio na Vila Madalena, Tsuda fala suas impressões sobre suas considerações e experiências com a arte urbana e um pouco de seu trabalho com as instalações - efêmeras como os grafites da cidade.

Leia alguns trechos do depoimento:

“A arte urbana foi uma manifestação muito fluida, muito natural. Ele é espontânea, então a legitimidade dela vem dessa espontaneidade que surge em centros não muito agradáveis. Você vai a Paris por exemplo, tem bem menos do que temos por aqui”

“O louco de São Paulo é que como se fosse um lugar muito podre, mas com uma plantinha que nasce, e ai começa a ter outra plantinha e etc. A sensação que eu tenho é essa. Que é uma cidade muito feia, não é uma cidade constante: tem parcelas bonitas da cidade e tem umas parcelas muito toscas e geralmente é nas toscas que essa intervenção urbana da uma amenizada na tosquidão.”

“A arte urbana do jeito que é feita é a tosquidão em si, só que aquilo do ponto de vista do prazer do olhar melhora bastante”

“No final o que sobra é essa sensação talvez, que alguém pode ter visto, alguém pode ter curtido e essa pessoa vai lembrar disso e de alguma forma traduzir em alguma ação dela, algum trabalho futuro ou simplesmente ela só vai lembrar”.

Thiago Botana

20 set

“Acho que o legal da arte urbana é isso, não importa quem vez ou quem deixou de fazer,  o que importa é o sentido que alguém quis dar e o sentido que você captou para a sua vida.”

Thiago Botana é  formado em Multimeios pela PUC-SP e faz diversos experimentos com intervenções urbana. Seu último grande trabalho com intervenção foi seu projeto de conclusão de curso, onde colocou diversas imagens de animais pelas ruas – um apelo ao cuidado pelo meio ambiente.

No vídeo ele conta um pouco sobre seu interesse na arte urbana e nas outras diversas formas de intervenção, como o teatro.

Guto Lacaz

13 set

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Guto Lacaz é artista multimídia, desenhista, ilustrador, designer, cenógrafo e editor de arte de revistas. Utiliza de vários lugares e situações para apresentar seus trabalhos: galerias, museus, teatros e espaços públicos. Ao longo se sua carreira, explorou os terrenos da ciência e da tecnologia.

Alguns trechos do vídeo:

“A arte muda sim! Quantas vezes eu já não sai transformado de uma exposição,
de um filme, de ter escutado um vinil, um cd, ter lido um poema. É muito poderoso quando
você recebe aquela energia estetica que ou você esta precisando ou não estava e aquilo
te atinge, é maravilhoso. Tem marcado grandes impactos na minha vida onde eu falo:
nossa! preciso estudar mais, vou fazer tal coisa e aquilo me encheu de energia
para me movimentar em uma determinada direção. Não só para mim, mas para muita gente”

“A arte muda sim! Quantas vezes eu já sai transformado de uma  exposição, de um filme, de ter escutado um vinil, um cd, ter lido um poema. É muito poderoso quando você recebe aquela energia estética que ou você esta precisando ou não estava e aquilo te atinge, é maravilhoso.

“Tem marcado grandes impactos na minha vida onde eu falo: nossa! preciso estudar mais, vou fazer tal coisa e aquilo me encheu de energia para me movimentar em uma determinada direção. Não só para mim, mas para muita gente”

“Tem esse movimento contemporâneo que começou com o grafite. Uma apropriação do espaço, uma transgressão. É interessante, mas ao mesmo tempo esta em um ponto de saturação: tem lugar que você vê muita camada. Mas também é um sinal de que tem vários artistas querendo mostrar trabalho.”

Biografia de Guto Lacaz:

É arquiteto pela FAU/USP e artista plástico. Em seu conjunto de obras podemos encontrar esculturas lúdicas, videoinstalações, multimídia, eletroperformances, projetos e instrumentos científicos. Participou de diversos eventos, entre eles  SKY ART na USP (1986), e Water Work Project, Toronto, Canadá (1978).

Lecionou comunicação visual e desenho de arquitetura na Faculdade de Artes Plásticas da PUC/Campinas, em 1978-80. Foi professor do curso A Técnica e a Linguagem do Vídeo,  no festival de inverno de Campos de Jordão, em 1983. Foi editor da revista Around AZ.

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Esse ano o prêmio Sério Motta entra em sua 8ª edicao e Guto Lacaz foi indicado para o premio Hors Concours.

Bete Nobrega

7 set


No depoimento gravado em um atelier que divide com Celso Gitahy, BT Nobrega fala sobre a importância da arte em sua vida e na vida das pessoas e do seu interesse pela arte pública.

“A arte pode transformar a vida das pessoas, pode deixa-las mais alegres. Não só a pintura como a dança, como a música, como o cinema e várias outras formas de expressão. Tudo isso é arte e as pessoas têm que ir atrás, cada um pode ver o que gosta e fazer um pouco nem que seja num momento de lazer, é muito importante”

“a”a arte pode transformar a vida das pessoas. Pode deixa-las mais alegres, felizes.
Não só a pintura como a dança, como a música, como o cinema e várias outras formas de
expressão. Tudo isso é arte e as pessoas têm que ir atrás, cada um pode ver o que gosta
e fazer um pouco nem que seja num momento de lazer, porque é muito importante”
“Comecei a curtir fazer na rua por causa desse contato com vários artistas, não eu
sozinha mas várias pessoas juntas”
“Grafite como forma de expressão. Chega a ser uma terapia, você coloca os sapos que
vocÊ engoliu pra fora ali naquela hora que você esta pintando”
“Meu trabalho tem uma influência afro, e as imagens tem todas
uma simbologia. São imagens primitivas, bem simples, bem sintéticas.
O que importa mesmo é passar a simbologia,não é um trabalho rebuscado.
Inclusive eu tenho até o interesse de fazer uma coisa que fique meio tosca
mesmo, porque a coisa da rua é tosca”
“a arte pode transformar a vida das pessoas. Pode deixa-las mais alegres, felizes.
Não só a pintura como a dança, como a música, como o cinema e várias outras formas de
expressão. Tudo isso é arte e as pessoas têm que ir atrás, cada um pode ver o que gosta
e fazer um pouco nem que seja num momento de lazer, porque é muito importante”
“a arte pode transformar a vida das pessoas. Pode deixa-las mais alegres, felizes.
Não só a pintura como a dança, como a música, como o cinema e várias outras formas de
expressão. Tudo isso é arte e as pessoas têm que ir atrás, cada um pode ver o que gosta
e fazer um pouco nem que seja num momento de lazer, porque é muito importante”
“a arte pode transformar a vida das pessoas. Pode deixa-las mais alegres, felizes.
Não só a pintura como a dança, como a música, como o cinema e várias outras formas de
expressão. Tudo isso é arte e as pessoas têm que ir atrás, cada um pode ver o que gosta
e fazer um pouco nem que seja num momento de lazer, porque é muito importante”
arte pode transformar a vida das pessoas. Pode deixa-las mais alegres, felizes.
Não só a pintura como a dança, como a música, como o cinema e várias outras formas de
expressão. Tudo isso é arte e as pessoas têm que ir atrás, cada um pode ver o que gosta
e fazer um pouco nem que seja num momento de lazer, porque é muito importante”

Celso Gitahy

28 ago

Convite e[3]..
“O grafite dialoga com a cidade, na busca não da permanência, enquanto significado de arte consagrada de uma época, mas de expansão da arte, que exercita a comunicação e faz propostas ao meio, de forma interativa. As cidades não só são o suporte, mas os tons das tintas e os movimentos todos dos surpreendente imaginário urbano” (GITAHY, 1999, p. 17 e 18).
o que é graffiti? 1999

“O grafite dialoga com a cidade na busca não da permanência, enquanto significado de arte consagrada de uma época, mas de expansão da arte, que exercita a comunicação e faz propostas ao meio, de forma interativa. As cidades não só são o suporte, mas os tons das tintas e os movimentos todos dos surpreendente imaginário urbano” em O que é graffiti?  de Celso Gitahy

Celso Gitahy inaugurou a nossa série de gravações.  O depoimento foi gravado no atelier que divide com Bete Nobrega e eventualmente com os alunos de sua oficina de Stencil.

Durante o depoimento Celso fala sobre a importância da arte urbana na rotina da cidade:

“Então precisa ter umas doses de silêncio, não é nada entende? É uma obra que você pode interpretar do jeito que você quer. A arte nesse sentido do grafite é fundamental porque ela preenche essa lacuna, ela serve como um balsamo mesmo, para fazer bem pras pessoas”

Do surgimento e da motivação do grafite:

“Como aconteceu com a música, no movimento punk “faça você mesmo”, sabe? Você pega a guitarra, três acordes num fundo de quintal. E o grafite vem com essa mesma veve.  Então vai pra rua e faz“.

E que além de tudo a arte precisa estar ligada ao público e ser um agente de transformação social:

“O stencil é muito bacana porque a pessoa tem todo um processo: o desenho, depois vem o corte, a impressão, até chegar no resultado final passa por algumas etapas. Nessas etapas surge a oportunidade para ir se falando de arte, de composiçao e ir incrementando esse processo”.